Estilos · 3 min de leitura

Cerveja Barley Wine

Estilo inglês do século 17 criado para suprir a falta de vinho, o barley wine chega a 12% ABV e sumiu após as guerras, até ser retomado nos anos 70.

Por Silvano Spiess, sommelier de cerveja formado pela Doemens Academy ·

Cerveja Barley Wine

A história do vinho, cerveja e outras bebidas, mesmo destiladas, têm fortes raízes agrícolas.

No passado, a importação e exportação eram difíceis, principalmente de perecíveis, e a tecnologia não era tão moderna quanto hoje. A produção era feita praticamente com o que estivesse a mão e de acordo com o clima, com raras exceções.

Na Europa Ocidental, o resultado disso foi uma divisão do continente por uma linha imaginária no que diz respeito à produção de fermentados. Abaixo dela, em países mediterrâneos e de clima temperado mais quente, o plantio era de uva e se fazia vinho. Acima, em países mais frios, as parreiras não vingavam e a cultura dominante era de cereais, como a cevada, e se fazia cerveja.

Mesmo assim, o gosto das pessoas não obedecia a essas regras.

Na Inglaterra, por exemplo, que está ao norte, a aristocracia bebia praticamente apenas vinho. No entanto, com períodos de guerra e a inconstância da importação, a bebida faltava com certa frequência. Para resolver esse problema, surge no século 17 um estilo de cerveja chamado Barley Wine, que significa literalmente vinho de cevada.

Tratava-se de uma cerveja mais alcoólica, que podia chegar aos 12% ABV, encorpada, maltada e fortemente frutada. Muitas vezes maturadas em barris de madeira e não raramente com toques vinificados, tinham aromas amadeirados, de couro, caprílicos e certa acidez. Um copo cheio para os amantes da bebida de Baco.

A tradição inglesa de cervejas mais alcoólicas e resistentes é até anterior a isso. Sem tecnologia, nas fazendas do Reino Unido só era possível se produzir cervejas no verão. E se fazia quantidade suficiente para o ano todo. As mais leves eram consumidas no verão mesmo, enquanto as mais alcoólicas, mais resistentes ao tempo, eram armazenadas em barris e consumidas durante o inverno. Daí também a associação desse estilo de cerveja ao frio.

Curioso ainda é notar que apesar de tudo isso, a primeira cerveja a usar propriamente o nome Barley Wine foi criada apenas em 1854. E, após o período das Grandes Guerras, esse estilo, como muitos no Reino Unido, praticamente sumiu. É retomado já nos anos 70, tanto no Reino Unido quanto nos Estados Unidos.

As versões inglesas são mais tradicionais, no entanto já não trazem a acidez, as notas de couro e na maioria das vezes nem são mais maturadas em madeira. As americanas contêm mais lúpulo, mais amargor e não raramente mais álcool, deixando o mais forte dos estilos de cerveja ainda mais agressivo e aquecedor.

Fontes: Larrousse da Cerveja e Heineken Brasil

 A Cervejaria Dom Haus da cidade de Araquari/SC, com seu competente mestre cervejeiro Marcos Guerra, produziu  uma edição especial e limitada de uma Cerveja Barley Wine, para comemorar seu primeiro ano de aniversário, maturada em barris de carvalho com teor alcoólico de 10% vol.

Ela será lançada esta semana no Festival Brasileiro de Cervejas na cidade de Blumenau/SC, que começa na próxima quarta-feira. Uma excepcional cerveja, que tive o privilégio de degustar hoje pela manhã na fábrica da Dom.

_Serão disponibilizados apenas 30 litros por dia desta preciosidade, portanto, se você estiver por Blumenau, ou já esta programando ir ao Festival de Cervejas, procure o stand da Cervejaria Dom Haus, que garanto:_Você irá se surpreender.

Aproveite e deguste os demais rótulos da Cervejaria:

– Dom Pedro – Cerveja Tipo Helles: Lager dourada de Munique, maltada e macia, com amargor discreto. É a cerveja do dia a dia na Baviera. Ver no glossário

– Dom Quixote – Cerveja Tipo Hefe Weißbier: Cerveja de trigo da Baviera, geralmente turva e espumosa, com aroma de banana e cravo que vem da levedura. Weizen e Weißbier são a mesma coisa. Ver no glossário

– Dom Casmurro – Cerveja Tipo IPA

– Dom Doca – Cerveja Tipo Blond Ale com frutas vermelhas.

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